Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare
—Não quero mais saber do lirismo que não é libertação
(Manuel Bandeira, "Poética")
Bandeira deseja o lirismo espontâneo e livre que representa melhor o que realmente acontece na psique humana, e não aquela versificação rígida que é seguida pelos poetas antigos. O que ele usa para demonstrar isso é o falar imprevisível dos loucos e dos bêbados. Parece que tais pessoas não têm sentido no que falam, mas o poema argumenta que é até mais difícil e pungente do que o falar das pessoas "normais." Shakespeare usava clowns muitas vezes para dizer as coisas mais sábias, mas por eles serem "clowns" ninguém levou o que diziam ao sério. O lirismo dos loucos, bêbados, e clowns, Bandeira diz, é o lirismo que não somente chega mais próxima da verdade, mas chega mais próxima da libertação. "...Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (Joao 8:32).
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